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A Escola Industrial e Comercial Josefa de Óbidos

 

 

O local onde se situa a Escola Josefa de Óbidos era, nos anos 40, um terreno descampado, limitado a sul pela Rua Possidónio da Silva e a nascente por um edifício estatal que albergava a assistência infantil da freguesia de Santa Isabel.

Perante a decisão de construção de uma nova escola feminina, a escolha recaiu neste terreno, tendo então a Junta de Freguesia tomado conhecimento de que este fora cedido, pelo Decreto-Lei n.º 30615 de 25 de Junho de 1941, à Província Portuguesa do Instituto dos Franciscanos Missionários de Maria.

Desenvolveram-se conversações para a cedência do terreno, das quais resultou um acordo favorável, tendo sido então formalizada a criação da Escola Industrial e Comercial Josefa de Óbidos, pelo Decreto-Lei n.º 37028 de 25 de Agosto de 1947.

A escolha do patrono tem a ver com a personalidade de Josefa de Ayala mulher, artista, pintora, religiosa e humanista.

O projecto da Escola foi elaborado pelos Serviços Técnicos da Junta de Construções para o Ensino Técnico e Liceal, sendo o grupo constituído por: Arquitecto José Costa Silva, Engenheiros Gabriel Ribeiro de Matos e António Lopes Monteiro, Joaquim Infante (medições e orçamento) e Jorge Neto Tavela de Sousa (mobiliário).

No ano de inauguração da Escola (1952), era também notícia a construção na mesma zona de outro grande edifício, a Igreja de Santo Condestável.

À data da sua criação, a Escola Industrial e Comercial Josefa de Óbidos ministrava às raparigas o Ciclo Preparatório das Escolas Técnicas Elementares. Para aqui transitaram as alunas dos dois primeiros anos da Escola Industrial Machado de Castro.

Na primeira fase dos estudos (Preparatória), algumas das disciplinas leccionadas eram as seguintes Trabalhos Manuais, Desenho, Ciências Geográfico-Naturais, Ginástica e Canto Coral.

Na segunda fase, o Curso de Formação Feminina, com 3 anos de duração, era constituído pelas seguintes disciplinas: Português, Francês, Matemática, Física/Química, Economia Doméstica, Dactilografia, Higiene e Saúde, Ginástica, Religião e Moral e Aptidão Profissional, esta última constituída pelas disciplinas de Desenho, Bordados, Modistas e Tecelagem.

Como complemento das aprendizagens, leccionava-se também as Secções Preparatórias aos Institutos Industriais e Magistério Primário e, ainda, os cursos de especialização em Bordadora Rendeira e em Artes e Tecidos.

Este sistema de ensino manteve-se até à Revolução do 25 de Abril, momento em que se concretiza a sua reforma os ensinos técnico e liceal são abolidos e em sua substituição cria-se o ensino unificado.

A antiga Escola Industrial e Comercial Josefa de Óbidos passou então a chamar-se Escola Secundária Josefa de Óbidos, ministrando-se o 3º ciclo do Ensino Básico e o Secundário.

Hoje a Escola Josefa de Óbidos é sede do Agrupamento de Escolas Padre Bartolomeu de Gusmão com alunos do Pré-Escolar ao Secundário, tendo recebido os alunos da antiga Escola Padre Bartolomeu de Gusmão.

O Museu da Escola

O Museu da Escola foi criado no ano em que a Escola Secundária Josefa de Óbidos comemorou o seu cinquentenário 2002. A sua abertura representou o culminar de um projecto antigo mostrar à população escolar e à comunidade as obras que se produziram na escola desde a sua fundação e o seu património artístico mais relevante pintura, desenho, cerâmica, bordados, tecidos, rendas, tapeçaria, mobiliário.

Grande parte das peças foram inventariadas, fotografadas e classificadas. Procedeu-se a um levantamento exaustivo de todos os materiais: do arquivo, vieram tecidos e tapeçarias; da sala de professores, o biombo a matiz e o quadro pintado por Abel Manta; da Biblioteca, desenhos, livros antigos e fotografias; das salas de contabilidade e de dactilografia, máquinas de calcular e de escrever antigas; do sótão, bastidores, a máquina de costura, o espelho, cadeiras e prateleiras e o velho piano; das oficinas, os teares; da secretaria, fichas de caderneta e diplomas antigos.

O Museu foi encerrado em 2007, na sequência da integração na Escola dos alunos do 2º ciclo de antiga escola Padre Bartolomeu de Gusmão. Uma parte do património pinturas e painéis cerâmicos que se encontravam nalgumas paredes de salas, de corredores e do refeitório desapareceu com as obras realizadas pela Parque Escolar. Mas a memória e o património artístico continua, para usufruto da comunidade e para manter viva a consciência da necessidade de preservar o Património, como parte essencial da nossa memória colectiva. Aqui, na Internet, e nos espaços de exposição que foram criados na Escola.

 

Paineis cerâmicos e pinturas cobriam várias paredes de salas e corredores da Escola Josefa de Óbidos. O antigo refeitório tinha grande parte das paredes cobertas com azulejos da Fábrica da Viúva Lamego pintados à mão - destes resta uma pequena parte no actual refeitório. Ao longo dos anos, em projectos de trabalho de alunos do curso de artes do ensino secundário e das disciplinas de Educação Tecnológica, Educação Visual e Atelier de Artes, no Atelier de Cerâmica, criaram-se painéis que foram sendo colocadas nas paredes da Escola. Este património, legado de gerações de alunos que passaram pela Escola, não resistiu às obras realizadas pela Parque Escolar no edifício nos anos de 2008/2009.